São décadas e eu inspirada diria :
sete décadas , sendo que as primeiras são descobertas, nem sempre bem sucedidas, porém, é o que pude fazer por mim.
Escondi, tive que fugir, mas o meu paradeiro era vinculado às atribuições, estudei pouco , apenas para tornar-me independente, resolvi por entre os guetos e setor normatizado representar, desse modo, importante, passar ao largo um projeto de vida que me acionava no dia a dia.
Lutei pela minha liberdade como histórias conhecidas, a minha família não saíra do cotidiano apesar da distância, os momentos significativos se expressam nos finais de semana em diversões , viagens e espera...
Nem me contive, foram encontros circunstanciais para deparar com um ninho, porventura colos absolutos espreitavam o porvir, de repente um café da manhã me dava o conforto necessário.
Seguia pelas ruas cheias , as vezes nuas , numa imprudência, era a minha às avessas acessando o meu inegável...
Décadas sequentes, eu descobri através das paixões, amores e separações que tudo é efêmero, o peso da profissão definia o cotidiano , já não existia um projeto, nem a praça Paris estava atenta para me ouvir.
Entre um livro e uma viagem eu desfrutava da sua companhia, arriscava-me no orçamento , em devaneios, o romance seguia num contratempo.
Um dia voltei, antes mesmo de implementar um projeto , já não me pertencia lá e cá seria uma habilidade pratica.
Uma década no colo de mãe vivendo e acrescentando um dia após outro, uma experiência de visitar os antepassados , uma alegria como de crianças em danças ciganas, valores fixados nas lembranças , minha mãe e eu , dispostas a sonhar !
Há duas décadas estou na saudade de mãe, rio, quando lembro das suas ironias, ela me informava e me convencia dos fatos, é estranho viver sem mãe ...levanto-me da cama sem o toque da sua bengala pela casa e sem o "Ró" no bom tom enquanto me chamava na porta do meu quarto.
Um dia fui chamada para um lance inesperado, com beijos e abraços, filhos que não tivera , sopro de coração, lenços de despedida ... enfim anos protegendo e me absorvendo à encruzilhada.
Se eu tivesse a sabedoria de oferecer meu lado baré e desviar das influências os afetos esquisitos, eu legitimaria meu aprendizado, mas levarei mil décadas para avocar meu espirito.
Presente ...novas poesias, delicias , caronas , fantasias, um diagnóstico foi a natureza do encontro, assim , saí do pesadelo à espertar ; fica comigo esta noite, quase implorei !
Alguma coisa acontece no meu coração, (Caetano Veloso) não é sampa nem avenida são joão, então, a ventania, a chuva e delírios, uma cama e a epopeia !
Penso na família que se associa, acrescento provas para um novo ciclo, olho atentamente o lado que me avizinha de ti ! Por fim, decido irradiar meu Amor !
Se tentar , no primeiro a gosto, será a revelação de um segredo: a tempestade inerente...
poetriz rosa maria

